Quando se compartilha muitas coisas de sua vida com alguém, com o mesmo alguém, é difícil perceber o quanto essa pessoa vai ocupando quase que perfeitamente espaços que você nem sabia que estavam vazios.
Dia 3, tirei férias dele. Não do que sinto por ele.

Me perguntaram se eu sentiria muitas saudades. Achei que não haveria tempo hábil pra isso, mas podia ser que fosse uma daquelas respostas que inventemos pra nós mesmas só pra ter o que dizer pros outros. Acontece que na minha cabeça, que às vezes funciona de um jeito questionável, acho que não faz sentido sentir saudades quando quem está longe está feliz. E aí é que entram duas outras questões:
. Longe: já me senti muito mais longe de gente que estava ali do meu lado, almoçando comigo, olhando pra mim sem ouvir o que eu falava. Depois de um telefonema, algumas mensagens e e-mails, achei curioso perceber que estar longe é diferente de estar distante. Só não fiquei feliz porque fiquei preocupada.
. Feliz: anos atrás, alguém muito incomodado com meu jeito de ser perguntou por que (diabos) eu não gostava de fazer planos. Se bem me lembro da resposta que dei (ou adaptando para a forma como penso hoje, e que não mudou muito), disse que acho que planejar coisas demais é o tipo de coisa inútil. Até porque, se no começo do caminho algo não sai como o esperado, todo o resto vai por água abaixo. Só acho que faz sentido planejar algumas coisas como, por exemplo, viagens.
Depois de viver uma ansiedade que não era minha, de ficar preocupada e com uma sensação ruim de não poder fazer nada, depois de me sentir um pouco estranha em estar me divertindo por aqui com meus amigos, tive uma notícia boa. Hoje, dia 9, fiquei sabendo que algumas coisas foram consertadas e vão sair como o planejado:
Ele planejou se divertir com a irmã. Eu planejei me divertir todos os dias até o fim da vida, da forma como der. Absolutamente nenhum plano foi feito sobre sentir saudades.






