Com o tempo e a “evolução” da humanidade, as pessoas foram criando alguns rótulos para simplificar a vida em sociedade e poupar preciosos minutos. Assim, o tempo que antes era gasto para se conhecer de verdade alguém e sua personalidade, hoje é otimizado e dedicado ao twitter, às compras e a tantas outras formas de entretenimento.
Tudo isso é possível graças aos rótulos, palavrinhas mágicas que ajudam a definir uma pessoa diante da opinião alheia. Em outros termos: tags e hashtags.

Como funciona?
Hoje em dia as pessoas não são mais consideradas legais, justas, chatas, interessantes ou coisa assim. Elas são classificadas de diferentes formas e enquadradas em categorias que, de quebra, já trazem muitos outros adjetivos (ou “valor agregado”, se preferir).
Vamos aos exemplos:
1. No Brasil, as pessoas são divididas entre petistas e “peéssedebistas” (ou tucanos). E isso, somente isso, já indica se você deve ou não estabelecer algum tipo de relacionamento com a pessoa. Os valores agregados são simples: petistas são pobres, desdentados, mulheres que não depilam as axilas, homens que bebem pinga, gente que parcela nas Casas Bahia, usam Avon. Já os tucanos são conservadores, ricos, lêem Veja, fingem que conhecem vinhos, as mulheres tem cabelos lisos (nem sempre naturais) e os homens são os chefes de família.
2. Você também pode ser classificado pelo que você come. Ou melhor, pelo que deixa de comer. Nesse caso, as palavras-chave são vegetarianos e normais. Se você não come animais, você necessariamente é chato, apático, militante da causa, tem a pele um pouco esverdeada e se veste de maneira esquisita, além de só saber conversar sobre “então você como o quê?!”. Também não bebem, não transam, não jogam jogos de azar e provavelmente são ateus. Já os carnívoros são legais, descolados, “prafrentex”, gente boa, tudo de bom, bacon é vida. Comem até os vegetarianos.
3. Outra questão que dirá muito sobre você é a sua opção religiosa. Se você acredita em Deus, você é crente. Se não acredita, você é inteligente. E se seu Deus tem outro nome, ou sua religião tem origem oriental, você é diferente. E se sua religião tem origem africana, você é macumbeiro. São as únicas classificações possíveis e você será necessariamente encaixado em alguma delas.
4. Sua orientação sexual também funciona como um importante filtro de amizades. Ou catalizador, depende muito. Teoricamente as tags são gay e hetero, mas os rótulos adicionais de um homem gay são bem diferentes dos de uma mulher gay. Homens gays têm suas profissões já bem definidas: maquiador, cabeleireiro, dançarino ou atendente de telemarketing; jamais são médicos ou advogados. Já mulheres gays atuam como cantoras, jogadoras de futebol ou motorista de ônibus, e são facilmente reconhecidas por seus cabelos curtos. Em comum, homens e mulheres gays gostam de festas com muita “pegação” e de promiscuidade. Por sua vez, os homens heterossexuais não têm amigas mulheres, conversam basicamente sobre seus casos e rolos, coçam as partes genitais em público e amam futebol. Mulheres heterossexuais são delicadas, gostam de flores, conversam apenas sobre namorados e esmaltes.
Existem várias outras classificações possíveis, tentei mostrar apenas as que são usadas com mais freqüência pra definir se uma pessoa é boa ou ruim. Se você não entendeu nada sobre este post e está em dúvida se vale a pena voltar a este blog, aqui vão algumas dicas: meu nome é Ligia, sou heterossexual, acredito em Deus mesmo sem seguir uma religião (entro na tag “crente”), já votei no PT e pretendo votar no PT mais algumas vezes.
AVISO: Caso você não tenha percebido, este é um texto com alto nível de ironia. As afirmações acima relacionadas não representam a opinião da autora do texto.