Conto do amor verdadeiro

4 08 2008

Um dia, cérebro e coração conversavam sobre seu relacionamento. Ambos concordavam a que dependência não é a forma mais sincera de relação, mesmo que parecesse ser a mais cômoda. Perceberam então que dependiam sim um do outro, mas que já não se completavam tão bem quanto antes.

Conversaram por horas.

Cérebro então disse que precisava de um tempo para pensar mais na vida, para planejar o futuro e se aperfeiçoar. Cérebro sentia falta de emoção. Enquanto isso, coração disse não gostar de bater sozinho, que precisava se apaixonar e sentir-se apaixonante a cada dia. Coração sentia falta de emoção.

Conversaram por horas.

Combinaram então que, em nome da parceria que tiveram por tanto tempo, buscariam individualmente o melhor para ambos. Já conheciam todos os detalhes sobre estarem juntos, com seus altos e baixos. Decidiram juntos que seria bom descobrir um outro ponto de vista sobre a mesma história, o ponto de fora.

Depois de tanto tempo juntos crando e fazendo um grande corpo crescer, tiveram vontades e necessidades próprias. Não conseguiriam mais dar comandos sincronizados para fazer com que esse corpo firme e crescido se movimentasse em uma só direção. Porque cérebro queria alcançar o céu e coração queria conquistar a terra.

Abriram mão desse corpo. Saindo fora da proteção inegável que ele oferecia, viram-se frágeis, vulneráveis, confusos. Coração então convidou cérebro para conversar e esclarecer algumas coisas, contar e conhecer as novas experiências que tinham tido nesse curto tempo.

Conversaram por horas.

Decidiram então voltar ao corpo recém abandonado. Esqueceram-se porém que um corpo sem cérebro nem coração não se sustenta sozinho. Ao voltar encontraram um corpo doente, estava fraco e já com seqüelas. Coração e cérebro já não tinham mais seus lugares esperando por eles, não eram mais posições intocáveis, não era mais um corpo confortável.

Coração então se pôs a pensar, cérebro então se pôs a sentir. E assim, mais uma vez, não estavam em sintonia. Precisavam conversar, mas nada mais havia para ser dito.

Desprotegidos pelo corpo, cérebro e coração começarão agora uma nova tentativa: construir e fazer crescer, cada um, um novo corpo diferente. E descobrir se sozinhos conseguem fazer algo tão forte e grande quanto o que tinham antes.





Poeminha sobre os hojes

30 07 2008

Ele já não é mais o mesmo,
Eu já não sou mais a mesma.

Ele já não ri de qualquer coisa,
já não vai a qualquer lugar,
já não dorme em qualquer sofá,
Ainda nem sabe que fui noiva.

Já está mais ausente que presente,
Já não olha pra trás, os outros que saiam da frente,
Já não me liga de madrugada para contar besteiras,
às vezes faz parecer que tudo que digo é asneira.

Já não é meu amigo de toda hora,
Já tem horas que me sinto de fora,
Sem perceber, já me fez ir embora,
Já não está ao meu lado quando sou eu quem chora.

Já não me sinto mais importante
Também pudera, estamos distantes.
Já não se preocupa em me convidar,
Nem as novidades me contar.

Já não me dá mais nenhuma preferência
É como se alguém tivesse roubado a sua essência
Nem posso dizer que temos alguma desavença,
Mas algum dia também já não fará mais diferença.

Porque ele já não é mais o mesmo,
E eu já não sou mais a mesma.





Rede de Amigos

1 07 2008

Essa história de trabalhar na internet, me divertir na internet ou então escolher pela internet o que vou fazer na minha vida real tem proporções inimagináveis. Eu, por exemplo, acabei fazendo novos amigos. Só um detalhe: nunca os vi.

É isso mesmo, nunca os vi, não sei onde trabalham, que idades têm, o que gostam de comer, quais suas vozes, com quem namoram ou são casados, se são loiros ou morenos, enfim, não sei nada! Mas são amigos. Não do tipo para quem eu contaria segredos ou pediria roupas emprestadas; aliás isso seria um modelo um pouco antigo de amizade, quase ultrapassado e démodé. Imagine que antes, por exemplo, símbolo de confiança era emprestar um CD e ter a certeza que ele voltaria com todos os “dentinhos” inteiros e com o encarte sem amassar. Hoje, CD… CD? Ã?

Amigos são aquelas pessoas com quem temos afinidades, ou seja, reconhecemos gostos em comum, interesses similares, para quem pedimos sugestões etc. Não sei se é impressão minha, mas depois que a gente passa da adolescência e termina faculdade, parece que fica mais difícil ver os amigos com freqüência. Então, na tentativa de manter contato, você os adiciona no Messenger e tudo quanto é rede social pra ficar conversando e acompanhando fotos de tempos em tempos e fingir que está super por dentro da vida alheia. Dá uma certa sensação de conforto acompanhar uma vida retratada e descrita, supre uma necessidade involuntária de contato, por menor que seja.

Daí que, bom, analisando dessa forma, a diferença entre meus amigos mais antigos e os que faço hoje em dia é a praticidade: pulando a etapa de conhecer ao vivo, todo o contato que se tem é lucro.

Outra diferença é que a evolução natural desse tipo de amizade é o contato pessoal, combinado via internet, claro. Assim surgiu o famoso #nob, com pessoas que sabem tanto sobre tudo que acontece na internet que, pra sair da mesmice, experimentam o peculiar hábito de beber e jogar conversa fora. Olha só que louco, não? E daí rola aquela coisa toda de abraçar, falar de futebol, tirar foto, falar sobre Lost e… publicar na internet.

É por isso que eu acho uma visão muito ultrapassada a de pessoas que imaginam geeks e nerds (vamos supor que exista alguma diferença) como pessoas sem amigos, que ficam horas em casa conversando nas salas de bate-papo por completa falta de amigos reais. Afinal de contas, que amigo pode ser mais real do que os amigos virtuais, não é mesmo? Daí você lê blogs, ouve os podcasts, acompanha as mudanças de humor pelo twitter e por aí vai. :)





Nós, os humanos

24 05 2008

Sabem aquela história de que as pessoas se preocupam antes em culpar alguém do que em resolver o problema? Acho essa atitude talvez nosso principal problema, daria a isso o título de “o problema da humanidade”, seguido de perto por, ou talvez dividindo o posto com, a chamada lei de Gerson.

“Ah, no Brasil nada dá certo! Sabe de quem é a culpa? É do Lula!”

“O mundo tá esquentando, a gente vai morrer tostado e querem que eu pare de andar de carro! A culpa é do Bush!”

“Esse trânsito paulistano ta mesmo insuportável. Imagine que comprei um carro novo sensacional – financiei em 60 meses, um ótimo negócio – e não consigo passar da terceira marcha. Esse Kassab me paga!”

Agora a moda é a caça às bruxas. Podemos ver pela quantidade de CPIs e dossiês que estão ganhando destaque nos noticiários Brasil afora.Isso ao bonito, nos dá a impressão de que os políticos estão se mexendo, apesar da sensação de que tudo vai acabar em pizza. Mas se bem me lembro, a gente não elege nossos representantes para que eles fiscalizem uns aos outros. Em teoria essa é uma tarefa nossa, diferente da deles que é, entre outras (corrijam-me se estou errada), propor e colocar em prática soluções para problemas comuns da vida em sociedade.

Este post tem um propósito? De fato não, é apenas um desabafo. Mas se pensarmos no rumo que estamos tomando, andando em círculos e com pouquíssimos indicativos de evolução, não temos o direito de nos queixar da violência, da dengue, dos desabrigados, do trânsito, da vida. Isso porque “direito” pressupõe “dever” e não estamos cumprindo com nossos deveres sociais.

Ontem assisti ao Globo Repórter sobre o otimismo do brasileiro. Achei legal, achei bonito, achei quase uma ficção. É um otimismo gratuito, quase que à espera de uma dádiva divina. O ser humano se conforta em ser desresponsabilizado (essa palavra existe?) pelo que acontece à sua volta.





Vou de [?], cê sabe…

15 05 2008

(1)Para fugir do trânsito paulistano, (2)para colaborar com a luta pelo aquecimento global, (3)para manter alguma freqüência na prática de exercícios físicos, (4)para protestar contra as condições do transporte público: (5)agora vou para o trabalho a pé.

1. Adoro dirigir. Não que eu dirija bem (e não que eu dirija mal, que fique bem claro), mas acho o máximo da independência você pegar seu carro e sair pelo mundo afora. A sensação é indescritível, o famoso direito de ir e vir materializado. Um benefício que, como a maioria das coisas, tem seu preço.

Eu não tenho carro; e pensando bem não preciso ter um carro. Mas até bem pouco tempo pensei em bancar esse luxo para sair por aí sem rumo ouvindo Pearl Jam em alto e bom som. Só pensei: e pensei no preço do combustível, no seguro, nos estacionamentos, nos recordes de engarrafamentos seguidos… Cansei de pensar. Enquanto ainda não estou 100% certa de comprar um carro, passei outros luxos menores na frente.

2. Todo mundo já sabe que são várias as pequenas atitudes que se pode fazer para que as calotas polares parem de diminuir e que o inverno continue sendo uma época fria. Posso dizer que sou uma ecochata, sempre que posso fazer alguma coisa para evitar desperdício, eu faço. Por isso, enquanto posso uma parte do que faço agora é evitar um veículo poluente, pelo menos na hora de ir ao trabalho.

3. Durante as férias eu engordei. Antes das férias também. Na verdade, tenho a impressão que cada aniversário meu me dá alguns quilos a mais de brinde. Mas, além disso, sempre fui meio atleta, sempre consegui manter meu condicionamento físico em bom estado… até um tempo atrás. Com a falta de tempo, estou vendo alternativas para manter meu corpo equilibrado mantendo mente e bolso também em bom estado. Já que eu não posso mais nadar, vamos então caminhar!

4. Antes de começar a ir a pé eu ia de ônibus, assim como milhões de brasileiros também fazem para chegar ao seu ganha pão. Desde que me mudei pra São Paulo, sempre morei relativamente perto dos lugares onde trabalhei: atualmente levava cerca de 15 minutos no trajeto. Já a espera… O ponto aqui perto de casa fica embaixo do elevado, próximo ao metrô Marechal Deodoro. Quem conhece sabe que a paisagem é feia e os freqüentadores também, acho que só o ônibus em si que é bonito. Se considerar que no meu caso existe apenas uma opção de ônibus pelo qual espero em média meia hora todas as manhãs (independente da hora que eu chegasse no ponto, era meio que uma sina, um “karma”), me livrei de boa!

5. Há mais ou menos 3 meses passei a morar a 2,5 km da agência. Parece muito? Não, nem mesmo parece muito, é pouco mesmo. Agora que voltei para uma área onde o horário de chegada é mais flexível, acabaram-se todas as poucas desculpas que eu tinha para não ir andando. Saio de Higienópolis, passo por perdizes e, tchanã!, cheguei no trabalho! É tão perto que (pelo menos nesses dias frios) não dá tempo nem de suar.

E você, como vai trabalhar? E por quê?





[blogueiros | blogosfera | bloguices]

8 04 2008

Eu já tive blog e desenholog. Eu já tive meus amiguinhos de blogs. Hoje em dia apenas tenho twitter e este blog que você está lendo. E que como pode ver, é por puro divertimento.

Pelo twitter, acompanho pensamentos e discussões de “webstars”, ou seja, nomes famosos da provavelmente também famosa blogosfera. E hoje, vi uma rápida conversa entre @enloucrescendo e @cmerigo sobre algo que deve* ter sido citado no Braincast 11. A parte que me chamou a atenção foi a seguinte:

enloucrescendo: @cmerigo o problema é querer ditar regras. o que mais vejo é blogueiro dizendo “mas os blogueiros devem…” e não “eu faço assim…””

Pois bem, como uma não blogueira e palpiteira, senti vontade de dizer que acho que estamos passando por uma fase de adaptação do que é ser blogueiro. Eu acompanhei meio de longe a transformação do termo como algo infantilóide e babaca dado a quem escrevia seus diarinhos que não interessavam a ninguém para algo de extremo orgulho e prestígio. Hoje em dia, dizer “eu sou blogueiro” é uma auto-afirmação tamanha, algo como afirmar “eu sou inteligente, simpático, descolado, geek e fico sabendo de tudo antes de vocês, leitores normais que me lêem e ingenuamente valorizam suas formas tradicionais de ganhar dinheiro e se divertir.” Existe, hoje em dia, um blog pride (como o gay pride), uma elitização de blogs e seus autores e, aqui começo a minha discussão pessoal, uma completa inversão de valores.

“Respondendo” (duvido que ele me leia, mas vá lá) ao @enloucrescendo, digo o seguinte: já eu, o que mais vejo, é blogueiro contando onde foi, o que comprou, com quem esteve, o que ganhou e onde foi citado (e no que isso se diferencia dos blog-diarinhos eu não sei ainda). É raro, difícil mesmo, ver blogueiro postando sobre coisas de mérito próprio, sobre coisas que fez, que criou, que produziu ou que simplesmente pensou.

Eu gosto de blogs. Eu acompanho vários, para me divertir ou para me informar. Eu não tenho como negar que o blog do @inagaki é sensacional, que o @interney foi o grande cara que começou tudo isso quando outros muitos ainda faziam diarinhos declarados, que o @crisdias é de uma acidez quase encantadora, que conheci o @fabioyabu pelo nerdcast e fiquei fã. Eu gosto de gente com conteúdo, on e offline.

Mas o que me dá essa sensação de vazio prestigiado é essa mania de meu iPhone pra lá, meu macBook pra cá, “tem blogueiro que se acha…” (essa eu acho a mais engraçada, na verdade). Imagina que, no perfil de um que li tinha lá: “profissão: palestrante”. Acho que aqueles que endeusam a si próprios, que se acham a última pringles do pacote (ou último Kb do download, que seja) vivem seus blogs, e não suas vidas.

Eu tenho essa opinião há bastante tempo. Faz mais ou menos o mesmo tempo que tenho medo de expressá-la assim tão claramente já que um dos meus melhores amigos é um webstar da blogosfera. E é um dos meus melhores amigos porque primeiro nos conhecemos pessoalmente, porque sei o quanto é legal conversar com ele e ouvir sua risada de fusca velho.

Mas hoje eu quis desabafar. Queria até mesmo, se pudesse, gerar uma discussão mais profunda entre blogueiros para que eles repensassem a relevância daquilo que falam em seus blogs e twitters. Queria ver uma internet mais inteligente de verdade, e não dita mais inteligente. Não é porque são convidados para eventos, não é porque são de fato formadores de opiniões que são inteligentes, que têm uma opinião própria. E é isso que eu acho que faz da nossa internet ainda tão amadora de forma geral.

Resumidamente, é isso. Como diria o Cirilo, do Carrossel, “eu só quis dizer…”. Se alguém ler este post e discordar, quiser debater, vambora!

Água…

*Deve, porque não consegui baixar o arquivo inteiro e o responsável pela TI aqui da empresa me deu bronquinha por baixar arquivos pesados em horário comercial.





[alegria]

17 03 2008

Tudo bem que em boca fechada não entra mosca. Mas se você conseguir ficar com a boca fechada durante todo o espetáculo do Cirque de Soleil, te dou um doce. Tá, mentira, não dou nada!

Fato é que lá fomos nós, namorado e eu, assistir ao famoso Alegria. A expectativa era grande, estava quase fácil decepcionar, mas aqueles caras foram muito além do que eu imaginava. São fod@s!

Uma noite assim, importante, nos fez passar por alguns momentos marcantes.

#1 [momento trânsito paulistano] – Quem é de São Paulo pode ter a noção de que Higienópolis nem é assim tão longe do Parque Villa Lobos. Mas nem sonhando que a gente arriscaria um atraso, né? Então saímos com 2h de antecedência. E chegamos com 1h.

#2 [momento agora gasta mesmo] – Se o ingresso, que não é nenhuma pechincha, você já bancou, segue o ritmo e se prepara pra gastar R$ 20 de estacionamento, R$ 4 por um refrigerante em lata, R$ 13 por um balde de pipoca. Ressalva: vamos ser justos, o balde funciona também como souvenir. :)

#3 [momento vergonha alheia] – Antes do espetáculo eles avisam umas 487 vezes: não pode tirar foto. Se você não entendeu e quer que desenhe, beleza, eles colocaram mais 34987 plaquetas dizendo que não pode fotografar. No início do espetáculo, um personagem fofo falando em gringuês também avisa que não pode fotografar. E todos os avisos avisam ainda que não é por nenhuma questão de direito autoral ou coisa assim; é que os flashes prejudicam a visão, deixam as pessoas desnorteadas e, cá entre nós, ninguém queria que nenhum artista se quebrasse por causa de uma foto, né? Mas estamos lá, tudo lindo e organizado, quando de repente >FLASH<. Putaquepariu, gente mal-educada e burra dos infernos!

Mas a verdade é que esses 3 foram os únicos momentos negativos da noite de ontem.Se eu fosse escrever tudo o que gostei, ficaria mais tempo escrevendo do que durou o espetáculo.





[sobre o morto]

23 01 2008

Sendo simplista, a imaginação humana é muito mais louvável que as realizações humanas. Digo sobre a capacidade de viajar, de abstrair, ou ainda, a capacidade de ligar pontos inconectáveis e criar uma teoria da conspiração.

Essa morte (ou não) súbita (ou não) do Heath Ledger logo depois de ele terminar as filmagens de Batman como Coringa vai dar muito pano pra manga, vai render o que falar principalmente na internet.

Sou uma não-nerd que convive (online, é claro) com muitas pessoas descoladas da chamada blogosfera. E entre termos que não entendo, como “PR”, “Techbits”, “netvibes” e “qualquercoisaCamp”, eu li três letrinhas: ARG.

E daí, só compartilhando com vocês o que confessei a um amigo, eu não acho que exista a menor chance. Não dá, no way, sem chance, fala sério. Morte real + drogas + filha fofa e órfã. Não dá pra fazer brincadeira nem game. Nem mesmo uma brincadeira marketeira. Mesmo sendo Batman, mesmo sendo soturno, mesmo sendo engenhoso.





[tudo quase pronto. tudinho.]

22 01 2008

Às vésperas de me mudar e eu só consigo pensar em desnecessidades.

Meu checklist tá meio furado: já liguei para dois caras que fazem carreto, mas não posso combinar 100% enquanto não souber a partir de que horas posso levar minhas poucas bugigangas. Também preciso comprar um sofá e, olha só, não sei as medidas das paredes. Por falar em paredes, já escolhi mentalmente as cores daquelas que serão coloridas, só preciso descobrir se as tonalidades que eu pensei de fato existem. E fora isso, ainda preciso assinar o contrato e reconhecer todas as firmas do planeta pra poder entregar as burocracias e ir ao que interessa: pegar as chaves.

Há dois meses não penso em qualquer coisa que não seja relacionada ao apartamento onde irei morar deliciosamente sozinha (esse “deliciosamente” deve-se em grande parte às visitas do namorado que deverão mais freqüentes). Chego em casa já na contagem das coisas que “em pouco tempo serão diferentes”. Às vezes me surpreende que um banheiro, uma sala, uma cozinha, um tudo só pra mim pode ser tão desejável.

Enquanto nada é concreto, coisas supérfluas rondam minha cabeça como, por exemplo, quero muito uma bolsa. Quero um sapato vermelho, uma almoçada de macaco (que dá pra colocar o dedo no umbigo, gente!), uma bolsa grande que não seja gigante, uma tablet bamboo, um computador novo. Quero muitas coisas que não têm nada a ver com a mudança, mas que, pô, casa nova pede muitas coisas novas, né?

Então ficamos assim: se você me conhece e quer me dar um presente, nunca foi tão verdadeira a expressão: qualquer coisa serve!





[pensando alto #1]

5 11 2007

Você percebe que a realidade atual está realmente violenta quando recebe um e-mail de Comunicação Interna da empresa com o título de “Dicas úteis para seu dia-a-dia” e ele começa exatamente assim (sem introdução alguma):

1. Se um dia você for jogado dentro do porta-malas de um carro, chute os faróis traseiros até que eles sejam projetados para fora, estique seu braço pelos buracos e comece a gesticular. O motorista não verá você, mas todo mundo verá.”

Ai ai, modernidades…