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decisões

November 5, 2009 · 2 Comments

Acabo de chegar em casa.

Na frente do prédio, um carro de polícia parado e outro que partia. Na calçada, conversando com dois policiais, o zelador do prédio e o porteiro que, pelo horário, já deveria ter ido embora.

Caminhei curiosa pelo corredor até o hall de entrada. Perguntei para o porteiro que tinha acabado de começar o turno e, enquanto o elevador não chegava, ele me contou o que tinha acontecido.

“- Lembra que outro dia você chegou e eu tava conversando com uma senhora aqui? Do 22? Então, ela se matou.

- Quando isso, hoje?

- Não, faz uns quatro dias. Notaram por causa do fedor. Arrombaram o apartamento e encontraram ela (sic) enforcada.

- Mas gente, como assim? Ela morava sozinha, não tinha parentes? Ninguém sentiu a falta dela?

- Tinha parentes, mas eles não vinham. Estão vindo agora buscar o corpo, tá aí ainda. Se você sentir algum cheiro forte, é dela.

- Tá…”

Uma pessoa morreu e ninguém sentiu falta. Ficou quatro dias sem dar nenhum sinal de vida, irônica e literalmente, e não vieram saber o que tinha acontecido. Decidiu acabar com a própria vida provavelmente por causa da tristeza do abandono, por se sentir sozinha demais. E mesmo assim, não chamou a atenção de ninguém. Só quando começou a incomodar.

Eu não a conhecia e consequentemente sou mais uma pessoa que não sentirei sua falta. Não sei que cara ela tinha, nem que idade, nem nada. Sei só que três andares abaixo de mim, acredita-se que num sábado absurdamente lindo, ela decidiu que não queria mais viver.

E isso me fez pensar mais forte em coisas que penso todos os dias. Eu quero e vou viver toda a vida que tiver na minha frente. Eu pretendo incomodar pessoas em vida, pra que elas sintam falta de mim e me tirem de alguma ausência de felicidade. Eu faço questão de fazer amigos novos e manter amigos velhos. Eu gosto de dar risada e de sentir o sol quente no meu rosto. Eu gosto muito de mim mesma.

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