||||||||||||||||||||||||||||||| Walk and Talk

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chat line ;)

October 16, 2009 · 1 Comment

Quando criei este blog, ao contrário do que diz a intro na coluna aí do lado (————————>) ele tinha sim um propósito: falar sobre coisas que eu via quando ando por aí e sobre conversas legais. Daí to Walk and Talk. Dãh!

Hoje, lendo o post do Favaro, lembrei disso. E lembrei de uma conversa que tive com o Duccigno. E lembrei que foi tão legal que tinha guardado. E lembrei que tinha guardado e nunca tinha postado. Então.. tchanã! Segue:

Água…  diz:

me conta aí alguma coisa..

Edu diz:

Wilson: “How’d you get here?”
House: “By osmosis.”

Água…  diz:

Eu deveria ter entendido? eu deveria ver house? eu precisaria ter visto house pra ter entendido?

Edu diz:

sim

Água…  diz:

ai…
vamos começar de novo?
daí vc faz alguma coisa com friends ou the big bang theory

Edu diz:

ta

Água…  diz:

—-
me conta aí alguma coisa..

Edu diz:

how YOU doin?

Água…  diz:

po.. na real, a resposta é: tô bem chata hoje.
daí pensei: “vou falar com duccigno pq ele é legal e eu vou ficar legal tbm”

Edu diz:

a internet faz de tudo hoje, né?
se te perguntassem
vc só pode ter uma coisa
internet, telefone, tv/DVD
acho que ninguem escolheria as duas ultimas opcoes

Água…  diz:

mas assim tá fácil, né?
e se te perguntassem:
vc só pode escolher uma coisa. internet, chocolate, sexo ou edredon?
o q vc responderia?

Edu diz:

putz, vc foi cruel demais agora

Água…  diz:

toma essa!

Edu diz:

eu quero chocolate
a axe podia fazer umas mulheres de chocolate
tamanho real

Água…  diz:

ai.. mas imagina vc dar uma mordidinha na orelha dela, e de repente ela vida o wellington camargo?!

Edu diz:

vc nao gosta de mim hoje, é isso?

Água…  diz:

Hauhauahua
ah.. desculpa.. tô chata mesmo
tchau vai…

Edu diz:

sabia que o wellington camargo foi encontrado pelos policiais daqui?

Água…  diz:

não sabia!

Edu diz:

pois é..
e dai ne?

Água…  diz:

uahauahuahauahuahauaahauahuahauah é…

Edu diz:

ja viu o clip do rammstein?
german pussy

Água…  diz:

ixe.. não.
me assusto só de pensar numa german pussy

Edu diz:

Insane
http://visit-x.net/rammstein/

Água…  diz:

eu tenho medo de rammstein acho..
mas vou ver, a curiosidade é maior.
tá.. vi 3 segundos.

Edu diz:

ele tem voz de sei la

Água…  diz:

estou no trabalho e não posso ver mais que isso.
eu não podia esperar nada leve de uma german pussy, né?

Edu diz:

Huahuauhahua
vc num viu nada..

Água…  diz:

po.. day play e já vi 3 segundos de pussy.
achei o suficiente.
estou na firma!

Edu diz:

Huahuahua
a coisa vira porno mesmo

Água…  diz:

vou continuar ouvindo Rape-me!
mais saudável

[[...]]

Edu diz:

queria ir ao cinema sozinho de novo
mas nenhum filme legal em cartaz

Água…  diz:

nenhum? nem daqueles que vc nunca ouviu falar?
olha.. esse é pra um nível avançado: ir sozinho e escolher o filme só na bilheteria.

Edu diz:

Sinopse: Casal que perdeu o filho recentemente adota uma menina de nove anos que se revelará muito menos inocente do que aparenta.
acho que quem escreveu essa sinopse tava com vontade de cagar
principalmente se vc ler rapido.. aumenta essa impressão

Água…  diz:

isso é a sinopse inteira?

Edu diz:

É
dava pra resumir mais ainda
Casal perde o filho e pega uma mina zuada.

Água…  diz:

uahauhauhauhauhauhaua
ou então “casal só se fode.”

Edu diz:

Casal toma no cu o filme inteiro.

Água…  diz:

“casal #VDM”

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heart-shaped box

September 30, 2009 · 1 Comment

Eu não sei se isso é normal e na verdade pouco me importa, mas o fato é que eu organizo minha memória em caixinhas. Pego todos os momentos especiais, bons ou ruins, e separo em algumas categorias (talvez na esperança de saber o que fazer com elas depois).

As principais caixinhas da minha cabeça são “momentos de vergonha alheia”, “momentos de vergonha própria”, “momentos com os quais eu não sei lidar”, “momentos extremamente felizes”, “momentos para esquecer”, “momentos depois disso eu posso morrer” e “momentos em que eu quis que o tempo parasse”. Essa última, uma das menores, hoje ganhou um novo arquivo.

Não houve uma só palavra, não sei dizer quanto tempo durou, não sei se só eu achei aquilo importante. Só sei que, como no dia em que sem querer criei essa caixinha, me peguei pensando quase alto demais: se o mundo parasse de girar agora, eu não sentiria falta de nada.

Pouco tempo depois, pus os dois pés na loucura que é a realidade fora da minha cabeça e voltei à vida normal, cheia de outras coisas nas quais pensar. Mas o bom é que esse momento eu guardei pra mim, e o melhor é que posso visitá-lo sempre que quiser.

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fuéin!

September 22, 2009 · 3 Comments

Na última semana passei por fortes emoções ao ter que tomar decisões e lutar por coisas que quero e nas quais acredito. Dito assim, parece até que sou uma revolucionária lutando contra o sistema, uma coisa bem Che Guevara. Mas apesar de estar sim lidando com situações desconfortáveis impostas pela sociedade, minha motivação era pura e exclusivamente egoísta: meu futuro profissional.

Hoje, conversando com amigos, percebi que meu ato heróico teve um desfecho bizarro. Metaforicamente, eu lacei um cavalo selvagem, montei nele sem cela, cavalguei até o leito do ditador,  olhei fundo pra ele, disfarcei meu nervosismo, mirei nele e dei um tiro! Mas do cano da minha arma saiu uma bandeirola feita com tecido de cueca samba-canção na qual lia-se claramente: BANG! Percebi que apesar de toda a pose meu ataque foi bizarro e pouco estratégico. Percebi claramente que o imperador e seus soldados riram de mim segundos após eu virar as costas.


Percebi isso hoje, no final do dia. Assim que pude, fui pra casa me odiar um pouco e alugar a orelha do meu não-namorado com mil desabafos sobre o quanto me sentia. Era um misto de burra com despreparada, de inexperiente com incapacitada. Mas a coisa me incomodou mais que tudo era uma só: eu não tinha a quem culpar. O erro era meu. E eu tinha que assumir isso pra mim mesma. Oh God!

Quem me conhece sabe que sou muito exigente com os outros, com a forma com que eles agem e trabalham. Não tolero incompetência e muito menos falta de inteligência. Xingo com vontade até a raiva passar, pra desabafar mesmo. Mas dessa vez a burra fui eu, eu simplesmente não tinha em quem descontar minha raiva, não tinha a quem responsabilizar. Tive que assumir pra mim mesma o quão fraca eu tinha sido. Justo eu que sou cricri ao extremo, justo eu que estou acostumada a consertar o erro alheio. Como é que eu fui errar justo numa hora decisiva?

Aprendi que não estou pronta para agir sob pressão como eu achava que estava. Preciso aprender. Mas enfim… não chegarei a nenhuma conclusão bonita ou poética. Queria mesmo só desabafar e confessar publicamente: sou uma idiota. Se você estiver lendo isso com alguma expectativa de achar uma moral da história, sinto muito: #fail.

(achou o post sem graça? Problema seu! Leia o destaque “este blog” na coluna da direita.)

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ida e volta

August 19, 2009 · Leave a Comment

Por causa de uma mudança de mesas e prédios na agência onde trabalho, hoje entrei mais tarde. E na hora em que eu estava saindo de casa, pela primeira vez em muito tempo encontrei a moça que vai lá limpar. Apesar de falar pelos cotovelos, ela é super boa gente.

Ficou curiosa por me ver saindo aquela hora e perguntou se eu tinha mudado de emprego. Expliquei que a situação e, sabe-se lá como, a conversa se desenrolou de forma que ela me fez uma perguntas e uma recomendação:

- já comprou seu carro?
- tá na hora de comprar um apartamento, financia pela Caixa, aluguel é jogar dinheiro fora.

Por fim ela disse que eu estava com um corpo bonito, que emagreci desde a última vez que nos vimos, mas que era pra eu não deixar de comer direito. Hoje almocei biscoitos água e sal e no fim da tarde comi uma esfirra de escarola.

::

No ônibus, voltando pra casa e pensando mil coisas, uma cena me chamou atenção. Ao parar em um ponto, uma voz fina e super preocupada que vinha da porta da frente lança um apelo ao motorista “Péra um pouco, moço. Por favor, rapidinho.”

Pela janela vejo um menino de uniforme escolar correndo para o balcão em frente ao ponto, pegando a lata de coca-cola e catando as moedas do troco pelo chão. Momentos de pura emoção, cheios de preocupação e decisões a serem tomadas. Ele precisava agir rápido.

Quando ele subiu, vitorioso de ter cumprido a missão, julguei que devia ter uns 10 ou 11 anos. Fiquei pensando que aqueles poucos momentos deviam ter sido proporcionalmente tão intensos quanto os que tenho vivido atualmente. Percebi que vou superar também.

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Mimimi me

August 11, 2009 · 2 Comments

Entre pessoas que me acham extremamente grossa ou extremamente engraçada, ouvi hoje uma interessante* definição sobre mim. Voltando do almoço, um amigo me olha já segurando a risada. Diz que durante o almoço dele falaram sobre mim, numa conversa cheia de segundas intenções. Me zoou um pouco, disse que estou arrasando corações (ahã ¬¬). Por mais que eu insistisse, ele não disse quem falou, mas disse o quê:

Se você só olha pra ela, acha que é até gatinha. Se você conversa um pouco com ela, ela fica linda. Agora, se você conversar um tempão com ela, aí você acaba se apaixonando.

Pois bem, pra alguém, essa sou eu. Mais ou menos feia, por causa da esquisitice, mas femme fatale depois dos 30 minutos. :P

*interessante foi usada na ausência de uma palavra melhor para descrever o que achei disso. Achei curioso, achei estranho, achei engraçado, achei assustador, achei tantas coisas que resolvi resumir num neutro e singelo “interessante”

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e agora, josé?

July 6, 2009 · 5 Comments

Pode até parecer coisa de gente doida. E na verdade, até pouco tempo atrás, eu achava que de fato era. Mas conversando com alguns amigos percebi que não sou a única maluca / cricri a não tolerar certas situações.

Foi então que resolvi escrever sobre algumas das coisas mais embaraçosas desse mundo.

| encontrar semi-conhecidos na rua

Sabe aquele amigo do amigo, ou aquele cara que trabalha no mesmo lugar que você mas vocês nunca passaram do “oi”, ou ainda aquela menina que estudou com você há mil anos mas você não tem certeza se ela te reconheceu (e mesmo que reconhecesse, vocês não teriam o que conversar)? Não sei vocês, mas eu tenho pânico de encontrar pessoas assim. Prefiro ver alguém de quem não gosto declaradamente, porque já sei o que fazer e como agir. Mas ficar do lado de alguém sem saber o que conversar, ou então ficar naquela troca de sorrisos amarelos… nossa, não!

| acharem que o cocô foi meu

Entro no banheiro da agência e uma das cabines está ocupada. Tranquilamente entro em uma outra qualquer. Enquanto faço meu xixi, ouço que alguém saiu da outra cabine. Quando saio, a outra pessoa já se foi e eis que percebo a situação tensa. Lá estamos nós: eu e o fedor do cocô alheio. Por mais que seja um banheiro e que banheiros foram feitos pra coisas assim, não suporto a idéia de alguém entrar nesse meio tempo e achar que eu sou a fedida.

| ouvir vizinhos transarem

Apesar de antigo, o prédio em que moro tem paredes finas. Como descobri isso? Bom… alguma das minhas vizinhas tem orgasmos realmente barulhentos. E olha, tenho certeza que não sou das pessoas mais puritanas e recatadas, daquelas que ficam escandalizadas facilmente, mas escutar acordar com gemidos me deixa sem graça. Eu tento ignorar, mas fico lá acordadona esperando acabar. Só que, por outro lado, não quero ser nenhuma voyeur espiando o prazer alheio. E ainda por cima, nem acho que casais devem ser silenciosos nessas horas. Eu só acho que toda parede deveria ser grossa, e toda janela à prova de som.

| receber ligação de instituições de caridade

Uma vez li que os e-mails que mais recebem spams são os que começam com a letra M. Todos os meus e-mails começam com M e posso garantir que essa afirmação é verdadeira. Mas acho que a regra também vale para telemarketing, porque MUITA gente me liga. Normalmente, eu tenho um super jogo de cintura e digo pras telefonistas “olha, seguinte, pra economizar seu tempo e o meu, eu realmente não tenho interesse, ta? Liga pra alguém… boa sorte.” Mas se me ligarem e falarem de criança doente… aí fodeu: to pobre.

| pagar cofre

Sim, eu sei que todo mundo tem e todo mundo já viu algum. Já vi cofre de tudo quanto é tipo, blz. Mas quando alguém vê o meu cofre, eu morro de vergonha. Fico vermelha, sem graça, sem reação, sem saber o que fazer. Se um dia eu estiver pagando cofre na sua frente, sei lá, não me avisa ta? Não me deixa saber que você viu.

* Atenção: este post será complementado de tempos em tempos.

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na hora certa

June 27, 2009 · 5 Comments

Por mais que pareça óbvio que todos nós um dia morreremos, nunca tinha cogitado que um dia Michael Jackson morreria.

Confesso que quando a notícia chegou, todos comentando lá na agência, me diverti MUITO com o tanto de piadas que foram surgindo uma atrás da outra. Mas já de noite me peguei pensando: caceta, o cara morreu! Fiquei bem triste.

Agora, vendo um especial no Multishow, começo a pensar que nada é por acaso. De certa forma, foi bom ele não ter feito a turnê de julho. Imagina desmanchar uma imagem que todos nós temos de um Michael forte, cheio de movimentos firmes, fazendo de tudo com o corpo. Imagina ver um Michael fraco, quase sem voz e esquálido se apresentar para milhões de pessoas.

Ele é um ícone, sempre vai ser. E quando pensamos em sua carreira, em seu talento, vemos um homem-show. E não o personagem indecifrável que estampou capas de revistas e sites nos últimos anos.

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o outro recado

June 18, 2009 · 2 Comments

Depois das férias, algumas pessoas me perguntaram sobre a volta, sobre como estaria sendo difícil tornar a trabalhar depois de 31 dias longe de tudo e de todos. Confesso que acordar com o despertador depois de tanto tempo não foi das coisas mais fáceis, mas na verdade eu estava me sentindo renovada.

Acontece que quando cheguei ao trabalho, percebi que mesmo tendo ficado fora, não fiquei totalmente ausente da vida de alguns dos meus amigos do trabalho. Fui recebida com demonstrações de carinho das mais variadas.

Mas uma delas eu preciso compartilhar. Lembram deste post? Pois é, entre uma das coisas que fizeram meu coração ficar mole, estava um diário que dois amigos fizeram sobre o que sentiam enquanto eu viajava. Fofos. E o diário termina assim:

metoo

São alguns detalhes e algumas demonstrações como essas que fazem a gente lembrar qual é o nosso lugar certo. É por pequenas coisas como essas que “voltar” pra casa é tão bom.

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arrumando as malas

June 14, 2009 · 1 Comment

E como já diria Dorothy, “não há lugar como o nosso lar”.

14 de junho de 2009: fim das férias. 15 de junho de 2009, acordo em GRU e volto à minha vida normal.

Depois de 31 dias de férias e 28 dias de viagem, o alívio virou saudade, a distância virou saudade, os pensamentos viraram saudade e me deu vontade de voltar pra casa.

É claro que foi um mês maravilhoso, sensacional, lindo e feliz. Talvez eu até pudesse passar a viver aqui algum dia, como fazem milhares de pessoas dos lugares mais surreais de todo o planeta. Mas essas pessoas, além de mais corajosas que eu, talvez não tenham pessoas tão legais pra deixar pra trás. Só que, bom, eu tenho.

Tenho uma mãe fofa, tenho amigos fodas, tenho (mentira, alugo) um apartamento gostoso e tenho uma vida pra lá de batuta. Tenho problemas, claro, mas levando em consideração que sou super saudável e nunca passei fome (por mais piegas que a afirmação pode parecer), meus “problemas” são só frescuras. Coisas que, com mais ou menos tempo, tenho condições de resolver e arquivar.

Sair da rotina é bom, mas grande parte de ser bom vem da segurança de saber que logo tudo voltará ao normal e tomará seu devido lugar. Assim como ter uma rotina é bom, mas grande parte de ser bom está em ter o controle nas mãos e poder quebrá-la sempre que quiser.

A partir de terça-feira, minha vida volta ao normal, meus twits voltam a0 normal, e até mesmo eu volto ao normal. É só eu descobrir o que “normal” significa. ;)

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o recado

June 3, 2009 · 2 Comments

“love you”, só isso.

P1000311_WT

Esse é o interruptor do quarto da minha amiga, o qual invadi, no apartamento em que ela mora com mais duas pessoas. A declaração já tinha me chamado atenção antes, mas hoje perguntei:

- quando você se mudou, já estava escrito?
- já.
- você achou fofo?
- achei.
- também.

É uma declaração de amor, explícita e sucinta, em apenas duas palavras que não deixam dúvida quanto à mensagem. Mas a minha cabeça fez varias suposições enquanto eu escovava os dentes.

A letra / caligrafia não dá nenhuma dica se a mensagem foi escrita por um homem ou uma mulher. Teoricamente, isso já me permitiria traçar todo um perfil imaginário sobre a pessoa, mas depois lembrei que, mesmo que ficasse claro quem escreveu, não daria para concluir se teria sido pra um homem ou pra uma mulher. Isso sem contar a possibilidade de ter sido de uma mãe ou de um pai pra um filho, ou uma mensagem de apoio entre irmãos, ou ainda de terem escrito na hora de deixar o apartamento, justamente com a intenção de ativar o cérebro do próximo morador do quarto.

O interruptor me trouxe uma idéia (óbvia) de ligar e desligar. O que daria um sentido meio triste à tal história, ao pensar que no dia da mudança, ao apagar a luz, o amor também se apagou. Ou então, partindo da idéia de o quarto ter sido de um casal, talvez a mudança de cada um tenha acontecido em tempos diferentes: a pessoa que escreveu deixou de amar e foi embora, a segunda, triste, resolveu se desligar de vez daquela mensagem e partir para um lugar com novos interruptores.

O momento em que eu via a mensagem também traz um certo significado à declaração. Ela só foi lida, pelo menos por mim, na hora em que eu estava deixando o quarto, ou na hora de dormir, ao desligar a luz. Ou seja, o “love you” passava a ser uma mensagem de despedida, dando um certo conforto final.

Seja como for, gosto de ver o recado. Gosto de pensar no quão gratuito foi pra quem escreveu, e no quão importante foi pra quem leu.

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