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profissão: perigo

September 4, 2009 · Leave a Comment

Quando eu era criança uma pergunta já me causava preocupação: “o que você quer ser quando crescer?”. Na época o grande dilema era escolher entre ser dona de uma banca de jornal ou de uma papelaria. Na minha cabeça são eram duas coisas incríveis, porque eu poderia ler todos os gibis que quisesse durante o dia inteeeeeeiro, ou então poderia ver todas as lapiseiras e cadernos e papéis de carta e borrachas e todas aquelas coisas lindas, coloridas e cheirosas.

Dias atrás, pensando um pouso sobre a vida, fiquei imaginando quais seriam as profissões mais legais do mundo. Mas agora, com uma cabeça mais velha, consigo ver prós e contras em quase tudo.

| Ter uma banca de jornal: muito bom saber de todas as notícias primeiro, saber também de todas as fofocas sobre celebridades, poder ler todas as HQs do Wolverine e ainda por cima atacar todos os chicletes que ficam no caixa. Mas acordar cedo todos os dias, independente de feriado e final de semana, não parece ser uma boa idéia.

| Ter uma papelaria: muito bom ver todo aquele mundo coloridinho que garante alguns pontos a mais na popularidade das meninas do ginásio. Mas com todo o crescimento da internet, cadernos e canetas estão em baixa. Além disso, deve ser meio difícil ver que por mais sofisticado seja o que as pessoas usam pra escrever, escrevem de forma cada vez pior.

| Dar nomes para esmaltes: é divertido ir na manicure e ficar em dúvida entre passar o “tomate”, o “preguicinha” ou o “deixa beijar”. Deve também ser divertido sugerir os nomes mais estapafúrdios e bregas e ver se cola. Mas limitar sua capacidade criativa a um rótulo de esmalte deve ser tão frustrante quanto ser um político honesto e ter que resumir suas idéias em 10 segundos falando como narrador de corrida de cavalos.

| Ser o cara que recebe anúncios de classificados: muito bom deve ser rir o dia todo com os anúncios de “acompanhantes” no melhor estilo adesivo de orelhão e ficar imaginando a realidade por trás daquilo tudo. Mas cá entre nós, o que mais existe de legal em trabalhar com isso?!

| Ser atendente de videolocadora: sensacional poder ver todos os filmes de graça, absolutamente todos. Até pra poder dar uma consultoria aos fregueses, e ser uma versão personificada do IMDb, é obrigação do cara ver um por um e ter uma opinião sobre eles. Mas a questão é: ainda existe locadora de filmes? TV a cabo e torrents acabaram com a graça, né?

Vou continuar pensando. Quando eu encontrar a profissão sem contras, conto pra vocês.

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Live from Pindaibaland

October 9, 2008 · 1 Comment

Depois de alguns acontecimentos extraordinários em minha enxuta família de duas pessoas, ficou resolvido que o final de ano seria diferente. Comprei passagens, reservei pousada e desde então estou morando em Pindaibaland!

Aqui, em Pinda, a gente vive de um jeito muito próprio. Temos hábitos peculiares, muito característicos. Por isso, com essa história de dólar subindo e bolsa caindo, senti-me quase que na obrigação de escrever um pequeno guia turístico para o caso de você vir nos visitar. Uma espécie de manual prático com dicas sobre como agir por estas bandas.

jeitinho

Diversão:

Em Pindaibaland, as pessoas não vão ao cinema (principalmente quando não se é mais estudante). Sim, nós gostamos de filmes. Mas cinema já não é mais a opção mais barata de entretenimento, ainda mais quando se vai direto do trabalho. Nestes casos, além de estacionamento, pipocas, MMs e afins, ainda se inclui o jantar.

Em Pindaibaland nós amamos a televisão e a lata de Pringles que pode durar até quatro dias. Daí, é só apagar a luz e fingir que está no cinema. Eu, por exemplo, que não sou nenhuma fã de A Favorita, to aqui curtindo um Jason Bourne enquanto escrevo este post. Ó que beleza!

Compras:

Em Pindaibaland, nós mulheres praticamos o autocontrole. Enquanto estamos aqui percebemos que não é preciso comprar um sapato por mês. Quem dirá dois! Daí, partindo dessa lógica, decidi que também não vou comprar calça jeans, camiseta importada, segundos presentes para a amiga-irmã que vai casar ou um novo travesseiro (simplesmente porque de uma hora pra outra, dois travesseiros ficou pouco).

Aproveitarei minha vinda pra cá para voltar a usar alguns sapatos abandonados e, quando fizer um calorzinho, estrear aquela sapatilha linda que ainda está na embalagem em que chegou da loja. Vou também reformar algumas calças que ficaram folgadas (uhu!)

Baladas:

A gente se diverte pra caraaaamba em Pinda! O amigo que vai morar em Portugal vai dar despedida, aí não tem como fugir. Mas depois, vamos curtir as baladinhas mais “intimistas”, como um open house, por exemplo.

E daí que suas duas melhores amigas moram longe de Pindaibaland e fazem aniversário no mesmo mês?! E daí que a galera do colegial (ah, aquilo sim era vida!) resolveu dar um churrasco e que você, vegetariana, paga como carnívoros? E daí que seu amigo que ganha 3 vezes mais que você mania de te chamar pra jantar no esquema cada-um-paga-o-seu?! E daí que a empregada que limpa a sua casa resolveu aumentar o preço que cobra? (ok, empregada não tem a ver com balada, me empolguei.)

Nessas horas, a gente usa o bom senso. Vai no que dá, paga tudo que vai, economiza no resto que der se quiser muito ir num lugar sem pechincha.

Bom, basicamente, é isso! Se vierem pra cá, me liguem de seus celulares pré-pagos, ok?! Beijo!

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