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Entries categorized as ‘sociedade’

decisões

November 5, 2009 · 1 Comment

Acabo de chegar em casa.

Na frente do prédio, um carro de polícia parado e outro que partia. Na calçada, conversando com dois policiais, o zelador do prédio e o porteiro que, pelo horário, já deveria ter ido embora.

Caminhei curiosa pelo corredor até o hall de entrada. Perguntei para o porteiro que tinha acabado de começar o turno e, enquanto o elevador não chegava, ele me contou o que tinha acontecido.

“- Lembra que outro dia você chegou e eu tava conversando com uma senhora aqui? Do 22? Então, ela se matou.

- Quando isso, hoje?

- Não, faz uns quatro dias. Notaram por causa do fedor. Arrombaram o apartamento e encontraram ela (sic) enforcada.

- Mas gente, como assim? Ela morava sozinha, não tinha parentes? Ninguém sentiu a falta dela?

- Tinha parentes, mas eles não vinham. Estão vindo agora buscar o corpo, tá aí ainda. Se você sentir algum cheiro forte, é dela.

- Tá…”

Uma pessoa morreu e ninguém sentiu falta. Ficou quatro dias sem dar nenhum sinal de vida, irônica e literalmente, e não vieram saber o que tinha acontecido. Decidiu acabar com a própria vida provavelmente por causa da tristeza do abandono, por se sentir sozinha demais. E mesmo assim, não chamou a atenção de ninguém. Só quando começou a incomodar.

Eu não a conhecia e consequentemente sou mais uma pessoa que não sentirei sua falta. Não sei que cara ela tinha, nem que idade, nem nada. Sei só que três andares abaixo de mim, acredita-se que num sábado absurdamente lindo, ela decidiu que não queria mais viver.

E isso me fez pensar mais forte em coisas que penso todos os dias. Eu quero e vou viver toda a vida que tiver na minha frente. Eu pretendo incomodar pessoas em vida, pra que elas sintam falta de mim e me tirem de alguma ausência de felicidade. Eu faço questão de fazer amigos novos e manter amigos velhos. Eu gosto de dar risada e de sentir o sol quente no meu rosto. Eu gosto muito de mim mesma.

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fight for your right

October 21, 2009 · 5 Comments

Enquanto eu esperava meu ônibus chegar, um homem que passava na rua me chamou atenção. Sujo, entre bêbado e drogado, sozinho, ele lutava. Eram socos, chutes, xingamentos ao vento. Teve até mesmo uma pedra que ele pegou do chão pra atacar em seu inimigo invisível (mas desistiu porque, na lógica individual dele, teve o julgamento de que seria uma coisa errada). Ele fazia tudo isso andando. Entre pontapés e maldizeres, a caminhada era ininterrupta.

As pessoas ficaram olhando. Algumas achavam graça e riam, outras pareciam tristes com aquele olhar de “Onde vamos parar? Onde já se viu? É nisso que dá beber tanto!”. Mas acho que não perceberam o que me pareceu óbvio: todos nós passamos por isso.

A verdade é que todos nós lutamos. Sem saber contra quem, sem saber quando a luta termina, todos nós lutamos. O pugilismo é natural da sobrevivência. Essa coisa de se defender de ameaças que só a gente vê enquanto outros muitas vezes riem da gente, julgando superficialmente o que lhes parece loucura. Às vezes a gente toma um golpe baixo e não tem juiz pra ver e mandar parar. Então a única saída é segurar a dor e levantar de novo, com cabeça erguida e pronta pra tomar mais quantos socos e tapas forem necessários.

Mas também, claro, a gente dá muita porrada por aí. Por reflexo ou por raiva, às vezes sem nem saber direito o que tá fazendo. Faz gente chorar e sentir dor, causa sensações de derrota sem se sentir vitorioso. É uma luta diária e sem regras, sem lógica inclusive.

Enquanto vinha pro trabalho, dentro do ônibus, fiquei torcendo pelo cara. Torci pra que ele não ganhasse aquela briga e continuasse lutando, e andando, e seguindo em frente vivo. É necessário ter uma emoção constante, uma revolta que motive a seguir insistindo em pequenas grandes causas individuais. Pelo estado do homem que vi, talvez aquela fosse a última batalha pessoal dele. Então, que não termine, que seja forte em sua loucura.

(sim, eu tenho uma coisa meio freak-do-saco-plástico do Beleza Americana, e daí?)

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profissão: perigo

September 4, 2009 · Leave a Comment

Quando eu era criança uma pergunta já me causava preocupação: “o que você quer ser quando crescer?”. Na época o grande dilema era escolher entre ser dona de uma banca de jornal ou de uma papelaria. Na minha cabeça são eram duas coisas incríveis, porque eu poderia ler todos os gibis que quisesse durante o dia inteeeeeeiro, ou então poderia ver todas as lapiseiras e cadernos e papéis de carta e borrachas e todas aquelas coisas lindas, coloridas e cheirosas.

Dias atrás, pensando um pouso sobre a vida, fiquei imaginando quais seriam as profissões mais legais do mundo. Mas agora, com uma cabeça mais velha, consigo ver prós e contras em quase tudo.

| Ter uma banca de jornal: muito bom saber de todas as notícias primeiro, saber também de todas as fofocas sobre celebridades, poder ler todas as HQs do Wolverine e ainda por cima atacar todos os chicletes que ficam no caixa. Mas acordar cedo todos os dias, independente de feriado e final de semana, não parece ser uma boa idéia.

| Ter uma papelaria: muito bom ver todo aquele mundo coloridinho que garante alguns pontos a mais na popularidade das meninas do ginásio. Mas com todo o crescimento da internet, cadernos e canetas estão em baixa. Além disso, deve ser meio difícil ver que por mais sofisticado seja o que as pessoas usam pra escrever, escrevem de forma cada vez pior.

| Dar nomes para esmaltes: é divertido ir na manicure e ficar em dúvida entre passar o “tomate”, o “preguicinha” ou o “deixa beijar”. Deve também ser divertido sugerir os nomes mais estapafúrdios e bregas e ver se cola. Mas limitar sua capacidade criativa a um rótulo de esmalte deve ser tão frustrante quanto ser um político honesto e ter que resumir suas idéias em 10 segundos falando como narrador de corrida de cavalos.

| Ser o cara que recebe anúncios de classificados: muito bom deve ser rir o dia todo com os anúncios de “acompanhantes” no melhor estilo adesivo de orelhão e ficar imaginando a realidade por trás daquilo tudo. Mas cá entre nós, o que mais existe de legal em trabalhar com isso?!

| Ser atendente de videolocadora: sensacional poder ver todos os filmes de graça, absolutamente todos. Até pra poder dar uma consultoria aos fregueses, e ser uma versão personificada do IMDb, é obrigação do cara ver um por um e ter uma opinião sobre eles. Mas a questão é: ainda existe locadora de filmes? TV a cabo e torrents acabaram com a graça, né?

Vou continuar pensando. Quando eu encontrar a profissão sem contras, conto pra vocês.

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o tempo e os fatos

August 22, 2009 · Leave a Comment

Duas coisas hoje me fizeram pensar sobre um dos principais clichês discutidos hoje: a influênciaa da internet na forma como as pessoas se relacionam. É tanto imediatismo por respostas – sem a preocupação com o conteúdo ou veracidade delas – que a gente vem se acostumando com a superficialidade on e offline. 

O que se vê hoje são pessoas afoitas. É a necessidade de emitir uma opinião antes mesmo de ter uma. A necessidade de classificar alguma coisa ou fato antes mesmo de entendê-lo. Rótulos vazios. 

O valor do silêncio é alto, mas também é o da vida. Por isso não me acho errada em ser fiel às minhas vontades e fazer o possível para evitar arrependimentos. Normalmente penso antes de agir, mas isso exige tempo, e nem sempre se tem esse tempo. 

Agora a pouco, por exemplo, eu não queria falar, só queria muito estar lá. E fui. E na hora de dizer tchau quis beijá-lo, mas não o fiz. Por medo de ser mal-entendida, de ser inadequada ou pior, de ser rejeitada. Depois me arrependi. 

Mas só percebi o que queria, só senti arrependimento, depois de um tempo, já no vagão do metrô. Só depois de pensar. 

Acontece que questão principal é um pouco mais simples: sorte minha ter o tempo de me arrepender e consertar o erro algum outro dia.

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mr. cab driver

July 29, 2009 · 3 Comments

Cheguei em casa bem cansada. Mas depois da conversa surreal que tive com o taxista, achei que apesar do cansaço valia a pena ligar o computador e escrever antes que minha memória apagasse alguns detalhes. (até porque, certeza que amanhã, mais uma vez, não terei tempo de escrever)

Abro a porta de trás, entro no taxi um pouco distraída e o taxista não diz nada. Alguns segundos depois ele olha pra minha cara e pergunta:

Ele: – cansada?

Eu: – cansada, bem cansada, e um pouco triste.

Ele: – por quê? O que aconteceu?

Eu: – nada grave, ainda bem. Só trabalho mesmo.

Nesse momento percebi que ainda estávamos no mesmo lugar e interrompo:

Eu: – sabe pra onde a gente vai? (perguntei assim porque pelo telefone eu já tinha dito)

Ele: – não, não sei. Me conta?

Depois que eu disse o endereço, ele continua a conversa anterior:

Ele: – em que área você trabalha aí?

Eu: – na propaganda.

Ele: – o que você acha da maconha?

(mentalmente me perguntei se eu tinha mesmo ouvido certo, mas depois de perceber que sim, continuei)

Eu: – olha, eu já achei muito mais coisa do que acho hoje.

Ele: – ah, desculpa, é que você falou que tava triste e tal. Achei que ia querer fumar…

Eu: – é, mas sei que a maconha não vai resolver meu problema não.

Ele: – e qual é seu problema?

(falei um pouco de trabalho sem muitos detalhes)

Ele: – mas você é uma moça nova ainda… quantos anos você tem?

Eu: – quantos anos parece que eu tenho?

Ele: – uns 23…

Eu: – tenho 27. A gente cansa mais rápido quando tem 27. Quantos anos vc tem?

Ele: – 22.

Eu: – pois com 27 você vai ver que a maconha só distrai, não resolve nada.

Ele: – mas você acredita em Deus?

Eu: – acredito sim. Por quê?

Ele: – porque eu tava vendo um livro na loja de conveniência do Ipiranga daquele outro Padre que não é o Padre Marcelo. É daquele outro, o Fábio de Melo. E eu achei muito louco que na capa tem um cara tirando como se fosse uma casca de frente do rosto. O título é “Quem me roubou de mim?”.

Eu: – e você já leu?

Ele: – não, não acho legal ler livro de loja de conveniência.

Eu: – ah… mas você acredita em Deus?

Ele: – depois que eu fumei maconha sim.

Eu: (pensei um pouco e pedi) – me explica.

Ele: – é que assim, eu era um cara todo certinho. Eu era vegetariano, não jogava lixo na rua, mas comecei a gostar de filosofia sabe?

Eu: – ah, legal, e que autor você mais lê?

Ele: – Nietzsche.

Eu: – tá, um louco. Mas me explica a relação de maconha com Deus…

Ele: – é que quando você fuma maconha aumenta a sinapse entre os neurônios, é como se aumentasse a corrente elétrica e iluminasse mais as coisas, daí eu comecei a entender que a razão não alimentava meu corpo de saber completamente e achei que tem que existir alguma coisa, alguma força que os cristãos chamam de Deus e que faz com que  nós, seres humanos, somos os únicos que tentamos entender nossa existência e mudamos nosso ambiente. [nota: eu não pontuei essa frase porque ele falou tudo isso assim, numa respirada só!]

Eu: – é, faz algum sentido…

Ele: – pô, você é uma moça tão legal, pena que mora tão perto.

Eu: – se eu saísse a essa hora e morasse longe, acho que dormia lá na portaria mesmo.

Ele: – quer uma bala? (a essa altura eu fiquei até desconfiada sobre o que ele estaria querendo dizer com “bala”)

Eu: – não moço, brigada, eu tô é com fome. Vou chegar em casa e comer.

Ele: – e você tá fazendo algum curso? Tá malhando?

Eu: – olha a hora que eu to saindo do trabalho, moço. Você acha mesmo que eu tenho malhado?

Ele: – e você namora?

Eu: – não, não mais.

Ele: – e não pensa em voltar?

Eu: – eu não, moço. Já vai fazer um ano que terminei o namoro e muita coisa aconteceu depois disso.

Ele: – namorada ou namorado?

Eu: – namorado. Um namorado que adorava Nietzsche aliás…

(chegamos)

Ele: – pô, que legal que você curtia um cara que curtia Nietzsche.

Eu: – É… mas um dia o cara se apaixonou por outra e foi viver a vida dele. E sobre Nietzsche, continuo achando um louco, meio doente.

Ele: – mas lê, você vai gostar.

Eu: – eu não, já sou cética demais sem ler Nietzsche, dispenso. Eu até já tentei, mas não consegui terminar não.

(já com a porta aberta havia um tempão, fiz movimento para sair do carro)

Ele: – sabe o que achei engraçado?

Eu: – hum?

Ele: – você dizer que muita coisa aconteceu depois do seu namoro.

Eu: (surpresa) – mas é verdade, ué…

Ele: – tchau, boa noite, descansa hein?

Eu: – tchau, valeu, bom trabalho.

O.o

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e agora, josé?

July 6, 2009 · 5 Comments

Pode até parecer coisa de gente doida. E na verdade, até pouco tempo atrás, eu achava que de fato era. Mas conversando com alguns amigos percebi que não sou a única maluca / cricri a não tolerar certas situações.

Foi então que resolvi escrever sobre algumas das coisas mais embaraçosas desse mundo.

| encontrar semi-conhecidos na rua

Sabe aquele amigo do amigo, ou aquele cara que trabalha no mesmo lugar que você mas vocês nunca passaram do “oi”, ou ainda aquela menina que estudou com você há mil anos mas você não tem certeza se ela te reconheceu (e mesmo que reconhecesse, vocês não teriam o que conversar)? Não sei vocês, mas eu tenho pânico de encontrar pessoas assim. Prefiro ver alguém de quem não gosto declaradamente, porque já sei o que fazer e como agir. Mas ficar do lado de alguém sem saber o que conversar, ou então ficar naquela troca de sorrisos amarelos… nossa, não!

| acharem que o cocô foi meu

Entro no banheiro da agência e uma das cabines está ocupada. Tranquilamente entro em uma outra qualquer. Enquanto faço meu xixi, ouço que alguém saiu da outra cabine. Quando saio, a outra pessoa já se foi e eis que percebo a situação tensa. Lá estamos nós: eu e o fedor do cocô alheio. Por mais que seja um banheiro e que banheiros foram feitos pra coisas assim, não suporto a idéia de alguém entrar nesse meio tempo e achar que eu sou a fedida.

| ouvir vizinhos transarem

Apesar de antigo, o prédio em que moro tem paredes finas. Como descobri isso? Bom… alguma das minhas vizinhas tem orgasmos realmente barulhentos. E olha, tenho certeza que não sou das pessoas mais puritanas e recatadas, daquelas que ficam escandalizadas facilmente, mas escutar acordar com gemidos me deixa sem graça. Eu tento ignorar, mas fico lá acordadona esperando acabar. Só que, por outro lado, não quero ser nenhuma voyeur espiando o prazer alheio. E ainda por cima, nem acho que casais devem ser silenciosos nessas horas. Eu só acho que toda parede deveria ser grossa, e toda janela à prova de som.

| receber ligação de instituições de caridade

Uma vez li que os e-mails que mais recebem spams são os que começam com a letra M. Todos os meus e-mails começam com M e posso garantir que essa afirmação é verdadeira. Mas acho que a regra também vale para telemarketing, porque MUITA gente me liga. Normalmente, eu tenho um super jogo de cintura e digo pras telefonistas “olha, seguinte, pra economizar seu tempo e o meu, eu realmente não tenho interesse, ta? Liga pra alguém… boa sorte.” Mas se me ligarem e falarem de criança doente… aí fodeu: to pobre.

| pagar cofre

Sim, eu sei que todo mundo tem e todo mundo já viu algum. Já vi cofre de tudo quanto é tipo, blz. Mas quando alguém vê o meu cofre, eu morro de vergonha. Fico vermelha, sem graça, sem reação, sem saber o que fazer. Se um dia eu estiver pagando cofre na sua frente, sei lá, não me avisa ta? Não me deixa saber que você viu.

* Atenção: este post será complementado de tempos em tempos.

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o recado

June 3, 2009 · 2 Comments

“love you”, só isso.

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Esse é o interruptor do quarto da minha amiga, o qual invadi, no apartamento em que ela mora com mais duas pessoas. A declaração já tinha me chamado atenção antes, mas hoje perguntei:

- quando você se mudou, já estava escrito?
- já.
- você achou fofo?
- achei.
- também.

É uma declaração de amor, explícita e sucinta, em apenas duas palavras que não deixam dúvida quanto à mensagem. Mas a minha cabeça fez varias suposições enquanto eu escovava os dentes.

A letra / caligrafia não dá nenhuma dica se a mensagem foi escrita por um homem ou uma mulher. Teoricamente, isso já me permitiria traçar todo um perfil imaginário sobre a pessoa, mas depois lembrei que, mesmo que ficasse claro quem escreveu, não daria para concluir se teria sido pra um homem ou pra uma mulher. Isso sem contar a possibilidade de ter sido de uma mãe ou de um pai pra um filho, ou uma mensagem de apoio entre irmãos, ou ainda de terem escrito na hora de deixar o apartamento, justamente com a intenção de ativar o cérebro do próximo morador do quarto.

O interruptor me trouxe uma idéia (óbvia) de ligar e desligar. O que daria um sentido meio triste à tal história, ao pensar que no dia da mudança, ao apagar a luz, o amor também se apagou. Ou então, partindo da idéia de o quarto ter sido de um casal, talvez a mudança de cada um tenha acontecido em tempos diferentes: a pessoa que escreveu deixou de amar e foi embora, a segunda, triste, resolveu se desligar de vez daquela mensagem e partir para um lugar com novos interruptores.

O momento em que eu via a mensagem também traz um certo significado à declaração. Ela só foi lida, pelo menos por mim, na hora em que eu estava deixando o quarto, ou na hora de dormir, ao desligar a luz. Ou seja, o “love you” passava a ser uma mensagem de despedida, dando um certo conforto final.

Seja como for, gosto de ver o recado. Gosto de pensar no quão gratuito foi pra quem escreveu, e no quão importante foi pra quem leu.

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Aprendendo a olhar pra cima

May 25, 2009 · 5 Comments

Estou atualizando pouco o blog, o twitter e o flickr. Não estou entrando no Messenger e só vejo o gtalk uma vez por dia pra ver se tem e-mail novo. Não tenho visto sites legais e nem notícias interessantes. Skype só pro tradicional “oi” pra minha mãe. E tudo isso tem um grande motivo: estou de férias.

Não são férias do trabalho e nem da escola, são férias de mim mesma, da minha vida habitual, das minhas rotinas nem sempre opcionais, das pessoas que eu não gosto, também das que eu gosto, da minha casa, dos meus seriados preferidos, do meu celular, de tudo. Absolutamente tudo.

Coloquei algumas coisas essenciais dentro de uma mala não muito grande e vim para uma cidade onde nunca estive, “morar” com uma amiga com quem não convivia havia 3 anos, dividir apartamento com 2 caras que nunca antes vi na vida. Acabo de chegar em casa depois de passar o dia inteiro andando meio que sem rumo.

Mas em pouquíssimo tempo, uma cidade de arranha-céus te ensina uma coisa imprescindível: de vez em quando, pare tudo o que estiver fazendo e simplesmente olhe para cima. Na biblioteca, por exemplo, vi o teto mais bonito do que de qualquer igreja. Ao ar livre vi pássaros alheios a toda a confusão urbana e, sobre os altíssimos prédios empresariais nos quais milhões de pessoas trabalham para destruir e construir coisas, vi arte. São telhados trabalhadíssimos, com formas e cores, que como desculpa por invadir o céu azul compensam a intromissão oferecendo esculturas.

Janelas em arcos, caixas d’água antigas, letreiros luminosos, sinalizações. Uma realidade à parte, ignorada, mas tão real quanto o que estamos acostumados a ver. As coisas ficam mais bonitas e parecem até fazer mais sentido quando mudamos um pouco só nosso ponto de vista, quando fugimos de um olhar viciado. Você percebe que por mais caótico que a vida pareça, tudo tem seu objetivo, todos têm seu lugar.

NYC 051

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Tags de memória

May 13, 2009 · 4 Comments

[ Atenção, este é um post bem mimimi e bem menininha. Se quiser parar por aqui, obrigada por ter vindo, volte mais vezes. ]

A minha mente é mapeada por tags. É uma associação automática e involuntária que acontece entre nomes, imagens, músicas, cheiros e coração. É só ver ou ouvir alguma coisa que uma espécie de infográfico se forma na minha cabeça.

Hoje, pela milhonésima vez, aconteceu isso. Eu estava vendo o ffffound para ter idéias e eis que vejo o seguinte:

Só isso. Um recado de alguém que eu não conheço pra outro alguém que eu não conheço. E que mesmo assim me fez entrar numa máquina do tempo e ir parar em 2004, quando exatamente isso aconteceu.

Daí eu percebi que, sem querer, crio ícones mentais para cada uma das pessoas que são ou foram especiais para mim. Tem o cara com o melhor abraço do mundo, tem aquele com as mãos macias, tem aquele com cabelos de cachinhos que balançavam com o vento. Tem também aquele que chorou só porque me viu chorar, tem aquele que além de lindo e inteligente consegue ser legal, tem aquele que deu nome pras minhas bochechas e conversava com elas (não comigo). Tem o que me chama de Lícia, tem aquele com o sorriso mais bonito dessa vida, tem o que disse que eu sou “mó brother”, tem o que fala mil bobagens sobre tudo mas fica sem graça quando eu falo putarias porque “eu sou como irmã”. E aquele que eu conheci ainda menino, que fez mil perguntas sobre sexo (quando nem eu sabia direito) e depois cresceu e ficou lindo. Ah, e tem aquele de 2,02 m que não pode ver sangue, e também o que chorou como criança quando a mãe morreu (e eu não tive a menor idéia do que dizer). E aquele que só deixava eu passar a mão no cabelo dele.

Tem muitos eles, sem dúvida, mas também tem elas. Como a que tem câimbras nos pés todo dia frio, aquela que arrotava alto e fazia do quarto a maior bagunça que eu já vi e aquela liiinda que hoje mora láááá longe mas vai ser sempre minha irmã mais nova. Fora aquela com quem eu passava todas as tardes do ginásio, falando coisas “importantíssimas” e dançando (?). E aquela baixinha, na casa de quem eu dormi pela primeira vez fora. E aquela que estava do meu lado quando ele finalmente ligou.

As pessoas significam muito mais pra mim do que simples ícones idiotas que eu acabo criando. Até porque, se a importância delas pudesse ser resumida em uma linha, elas não seriam importantes o suficiente pra isso.

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Toda mulher é um polvo

May 4, 2009 · 1 Comment

Geralmente, detesto classificar comportamentos entre “coisas de homem” e “coisas de mulher” por achar extremamente superficial a idéia de que o gênero de alguém seja mais forte que personalidade e educação. Até porque, as pessoas se dividem em muitos outros grupos, como, por exemplo: corinthianos, morenos, heterossexuais, publicitários etc.

Mas nesta semana percebi algo que, a meu ver, é exclusivo das mulheres. Não sei exatamente em que momento essa constatação me veio à cabeça, mas foi num dia em que eu estava com vários jobs simultâneos, aparentemente com a mesma urgência de serem concluídos, com o mesmo prazo para serem entregues e ainda assim me perguntei: “Puts, não liguei pra empregada! Quanto será que tá o dólar hoje?”

Então, traindo meu habitual modo de pensar, cheguei a essa conclusão. Acredito que somente quem nasce com um par de seios é capaz de fazer um número absurdo de ações ao mesmo tempo, por uma questão cultural, não biológica. Explico: enquanto a obrigação social do homem moderno se resuma, basicamente, a colocar comida em casa e entender um pouco sobre computadores (ou videogames, ou jogos para computadores), a mulher acumula mais funções.

Mulher precisa estar linda, para ela mesma, para ele ou eles, e principalmente para as outras que vão olhar e reparar em todos os detalhes dos pés à cabeça. Precisa também estar sempre depilada para poder usar todas as roupas do armário, já que aquela calça que uma mesma peça pode hoje estar linda e amanhã estar “investível”. Precisa trabalhar e muitas vezes, dependendo da função, ainda precisa provar que pode ser tão competente quanto qualquer homem (mesmo com o sutiã apertando ou a cólica batendo). Precisa se lembrar de ligar para a empregada, para a manicure, para o namorado ou marido, para a mãe e para a amiga, tudo por obrigação, mesmo que às vezes não queira ligar pra ninguém. Precisa ler notícias e ver telejornais pra poder conversar com conhecimento de causa sobre a crise econômica, a gripe suína e as febres da moda. Precisa ser uma dama em público e uma vadia entre 4 paredes. Precisa muitas vezes parecer equilibrada e se mostrar bem-humorada mesmo que o mundo esteja desabando abaixo de seus pés confinados em sapatos lindos e desconfortáveis. Viver constantemente no modo #tudojuntodeumavezagora.

Vale uma ressalva. Acho que tanto para homens quanto para mulheres, a grande cobrança vem deles mesmos. Mas ainda assim, feminismos à parte, a mulher é mais cobrada. Nós merecíamos ter 8 braços pra poder dar conta de tudo.

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