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Entries tagged as ‘carinho’

pensando alto #7

July 8, 2009 · 3 Comments

Às vezes lembro o que me encanta.

A cumplicidade, talvez ela em primeiro lugar. A liberdade de poder ser espontâneo, de poder sorrir e chorar quando se tem vontade, com a certeza de não decepcionar por estar sendo sincero. O humor e a capacidade de rir das pequenas e mais insignificantes graças que essa vida nos separa. O calor das mãos em dias de nariz gelado. O carinho gratuito demonstrado em pequenos gestos e toques. A preocupação e a gentileza em se cuidar voluntariamente de quem se gosta.

Às vezes lembro o que me entristece.

A sinceridade de saber que não existe o 100%. A frieza de saber que um lado sempre está enganado (mas há, neste caso, a compensação em saber que o enganado vive uma felicidade espontânea, mesmo que irreal). O ceticismo ao perceber que histórias tristes se repetem e histórias bonitas são cada vez mais raras. A superficialidade das palavras e a insignificância de atitudes que antes eram marcos. Os momentos ricos em detalhes, mas que logo se tornam descartáveis. Os finais.

O respeito não me encanta, me causa admiração apenas.

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o outro recado

June 18, 2009 · 2 Comments

Depois das férias, algumas pessoas me perguntaram sobre a volta, sobre como estaria sendo difícil tornar a trabalhar depois de 31 dias longe de tudo e de todos. Confesso que acordar com o despertador depois de tanto tempo não foi das coisas mais fáceis, mas na verdade eu estava me sentindo renovada.

Acontece que quando cheguei ao trabalho, percebi que mesmo tendo ficado fora, não fiquei totalmente ausente da vida de alguns dos meus amigos do trabalho. Fui recebida com demonstrações de carinho das mais variadas.

Mas uma delas eu preciso compartilhar. Lembram deste post? Pois é, entre uma das coisas que fizeram meu coração ficar mole, estava um diário que dois amigos fizeram sobre o que sentiam enquanto eu viajava. Fofos. E o diário termina assim:

metoo

São alguns detalhes e algumas demonstrações como essas que fazem a gente lembrar qual é o nosso lugar certo. É por pequenas coisas como essas que “voltar” pra casa é tão bom.

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Conto do amor verdadeiro

August 4, 2008 · Leave a Comment

Um dia, cérebro e coração conversavam sobre seu relacionamento. Ambos concordavam a que dependência não é a forma mais sincera de relação, mesmo que parecesse ser a mais cômoda. Perceberam então que dependiam sim um do outro, mas que já não se completavam tão bem quanto antes.

Conversaram por horas.

Cérebro então disse que precisava de um tempo para pensar mais na vida, para planejar o futuro e se aperfeiçoar. Cérebro sentia falta de emoção. Enquanto isso, coração disse não gostar de bater sozinho, que precisava se apaixonar e sentir-se apaixonante a cada dia. Coração sentia falta de emoção.

Conversaram por horas.

Combinaram então que, em nome da parceria que tiveram por tanto tempo, buscariam individualmente o melhor para ambos. Já conheciam todos os detalhes sobre estarem juntos, com seus altos e baixos. Decidiram juntos que seria bom descobrir um outro ponto de vista sobre a mesma história, o ponto de fora.

Depois de tanto tempo juntos crando e fazendo um grande corpo crescer, tiveram vontades e necessidades próprias. Não conseguiriam mais dar comandos sincronizados para fazer com que esse corpo firme e crescido se movimentasse em uma só direção. Porque cérebro queria alcançar o céu e coração queria conquistar a terra.

Abriram mão desse corpo. Saindo fora da proteção inegável que ele oferecia, viram-se frágeis, vulneráveis, confusos. Coração então convidou cérebro para conversar e esclarecer algumas coisas, contar e conhecer as novas experiências que tinham tido nesse curto tempo.

Conversaram por horas.

Decidiram então voltar ao corpo recém abandonado. Esqueceram-se porém que um corpo sem cérebro nem coração não se sustenta sozinho. Ao voltar encontraram um corpo doente, estava fraco e já com seqüelas. Coração e cérebro já não tinham mais seus lugares esperando por eles, não eram mais posições intocáveis, não era mais um corpo confortável.

Coração então se pôs a pensar, cérebro então se pôs a sentir. E assim, mais uma vez, não estavam em sintonia. Precisavam conversar, mas nada mais havia para ser dito.

Desprotegidos pelo corpo, cérebro e coração começarão agora uma nova tentativa: construir e fazer crescer, cada um, um novo corpo diferente. E descobrir se sozinhos conseguem fazer algo tão forte e grande quanto o que tinham antes.

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