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April 6, 2009 · Leave a Comment

Segunda-feira, 06 de abril, acordo com uma certa dose de bom humor, ainda resquício de um casamento bonito no sábado e um jogo emocionante do Santos no domingo.

Venho para o trabalho e por uma questão qualquer resolvo acessar uma das minhas contas do Yahoo!. Sigo o rotineiro script: entro no site, digito meu login, digito minha senha e… o-oh, fodeu! É a mesma a cerca de 7 ou 8 anos, nunca mudei aquela bodega. Uma sequência de 8 letrinhas mais do que memorizadas, digito no automático até. Mas hoje, sabe-se lá porque hoje, essa maldita não funcionou.

Claro que meu humor mudou lá pela quinta tentativa. E depois de uma série de palavrões e bufadas, percebi o seguinte: minha vida social inteira está nas mãos de senhas. São muitas, para todos os tipos:

. conta de besteira no Yahoo! = Flickr
. conta séria no Yahoo!
. conta no Google, Gmail, Orkut e afins. (Aliás, Sr. Google, brigadão por ter unificado)
. conta pessoal no Itaú (caixa)
. conta pessoal no Itaú (bankline)
. conta PJ no Itaú (caixa)
. conta PJ no Itaú (bankline)
. conta poupança na Caixa Econômica
. cartão de crédito
. Last.fm
. Blip.fm
. Twitter
. This Moment
. Fotolog (não uso mais, mas ta lá disponível)
. Messenger
. e-mail, intranet e rede da agência.
. senha do telefone pra fazer ligações externas da agência.
. senha pra desbloquear o celular
. Netvibes
. Delicious
. Camiseteria
. Youtube
. Me Adiciona
. Linkedin
. Skype
. Blog
. Senha do VR
. Mais algumas que eu provavelmente não lembrei de listar agora.

Não sei se é porque vim escutando um podcast sobre Matrix, mas fiquei pensando no que aconteceria se houvesse uma revolução das máquinas e elas resolvessem apagar todas nossas senhas. Nossos segredos, compromissos e dinheiros aprisionados em algum lugar visual inacessível a todos nós. Um verdadeiro limbo onde estariam todas as coisas de todo mundo que confia 100% na internet para economizar tempo, ganhar tempo, perder tempo ou qualquer coisa do tipo.

Por isso – como nos finais dos desenhos da She-ha – o que aprendi hoje foi: pegue um caderno, arranque uma folha, escreva nele todas as suas senhas possíveis e imagináveis, releia, confira uma por uma, dobre no mínimo 3 vezes, guarde num cofrinho e tranque. Com cadeado de chave, tá?

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Rede de Amigos

July 1, 2008 · Leave a Comment

Essa história de trabalhar na internet, me divertir na internet ou então escolher pela internet o que vou fazer na minha vida real tem proporções inimagináveis. Eu, por exemplo, acabei fazendo novos amigos. Só um detalhe: nunca os vi.

É isso mesmo, nunca os vi, não sei onde trabalham, que idades têm, o que gostam de comer, quais suas vozes, com quem namoram ou são casados, se são loiros ou morenos, enfim, não sei nada! Mas são amigos. Não do tipo para quem eu contaria segredos ou pediria roupas emprestadas; aliás isso seria um modelo um pouco antigo de amizade, quase ultrapassado e démodé. Imagine que antes, por exemplo, símbolo de confiança era emprestar um CD e ter a certeza que ele voltaria com todos os “dentinhos” inteiros e com o encarte sem amassar. Hoje, CD… CD? Ã?

Amigos são aquelas pessoas com quem temos afinidades, ou seja, reconhecemos gostos em comum, interesses similares, para quem pedimos sugestões etc. Não sei se é impressão minha, mas depois que a gente passa da adolescência e termina faculdade, parece que fica mais difícil ver os amigos com freqüência. Então, na tentativa de manter contato, você os adiciona no Messenger e tudo quanto é rede social pra ficar conversando e acompanhando fotos de tempos em tempos e fingir que está super por dentro da vida alheia. Dá uma certa sensação de conforto acompanhar uma vida retratada e descrita, supre uma necessidade involuntária de contato, por menor que seja.

Daí que, bom, analisando dessa forma, a diferença entre meus amigos mais antigos e os que faço hoje em dia é a praticidade: pulando a etapa de conhecer ao vivo, todo o contato que se tem é lucro.

Outra diferença é que a evolução natural desse tipo de amizade é o contato pessoal, combinado via internet, claro. Assim surgiu o famoso #nob, com pessoas que sabem tanto sobre tudo que acontece na internet que, pra sair da mesmice, experimentam o peculiar hábito de beber e jogar conversa fora. Olha só que louco, não? E daí rola aquela coisa toda de abraçar, falar de futebol, tirar foto, falar sobre Lost e… publicar na internet.

É por isso que eu acho uma visão muito ultrapassada a de pessoas que imaginam geeks e nerds (vamos supor que exista alguma diferença) como pessoas sem amigos, que ficam horas em casa conversando nas salas de bate-papo por completa falta de amigos reais. Afinal de contas, que amigo pode ser mais real do que os amigos virtuais, não é mesmo? Daí você lê blogs, ouve os podcasts, acompanha as mudanças de humor pelo twitter e por aí vai. :)

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