Essa história de trabalhar na internet, me divertir na internet ou então escolher pela internet o que vou fazer na minha vida real tem proporções inimagináveis. Eu, por exemplo, acabei fazendo novos amigos. Só um detalhe: nunca os vi.
É isso mesmo, nunca os vi, não sei onde trabalham, que idades têm, o que gostam de comer, quais suas vozes, com quem namoram ou são casados, se são loiros ou morenos, enfim, não sei nada! Mas são amigos. Não do tipo para quem eu contaria segredos ou pediria roupas emprestadas; aliás isso seria um modelo um pouco antigo de amizade, quase ultrapassado e démodé. Imagine que antes, por exemplo, símbolo de confiança era emprestar um CD e ter a certeza que ele voltaria com todos os “dentinhos” inteiros e com o encarte sem amassar. Hoje, CD… CD? Ã?
Amigos são aquelas pessoas com quem temos afinidades, ou seja, reconhecemos gostos em comum, interesses similares, para quem pedimos sugestões etc. Não sei se é impressão minha, mas depois que a gente passa da adolescência e termina faculdade, parece que fica mais difícil ver os amigos com freqüência. Então, na tentativa de manter contato, você os adiciona no Messenger e tudo quanto é rede social pra ficar conversando e acompanhando fotos de tempos em tempos e fingir que está super por dentro da vida alheia. Dá uma certa sensação de conforto acompanhar uma vida retratada e descrita, supre uma necessidade involuntária de contato, por menor que seja.
Daí que, bom, analisando dessa forma, a diferença entre meus amigos mais antigos e os que faço hoje em dia é a praticidade: pulando a etapa de conhecer ao vivo, todo o contato que se tem é lucro.
Outra diferença é que a evolução natural desse tipo de amizade é o contato pessoal, combinado via internet, claro. Assim surgiu o famoso #nob, com pessoas que sabem tanto sobre tudo que acontece na internet que, pra sair da mesmice, experimentam o peculiar hábito de beber e jogar conversa fora. Olha só que louco, não? E daí rola aquela coisa toda de abraçar, falar de futebol, tirar foto, falar sobre Lost e… publicar na internet.
É por isso que eu acho uma visão muito ultrapassada a de pessoas que imaginam geeks e nerds (vamos supor que exista alguma diferença) como pessoas sem amigos, que ficam horas em casa conversando nas salas de bate-papo por completa falta de amigos reais. Afinal de contas, que amigo pode ser mais real do que os amigos virtuais, não é mesmo? Daí você lê blogs, ouve os podcasts, acompanha as mudanças de humor pelo twitter e por aí vai. :)