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Aprendendo a olhar pra cima

May 25, 2009 · 5 Comments

Estou atualizando pouco o blog, o twitter e o flickr. Não estou entrando no Messenger e só vejo o gtalk uma vez por dia pra ver se tem e-mail novo. Não tenho visto sites legais e nem notícias interessantes. Skype só pro tradicional “oi” pra minha mãe. E tudo isso tem um grande motivo: estou de férias.

Não são férias do trabalho e nem da escola, são férias de mim mesma, da minha vida habitual, das minhas rotinas nem sempre opcionais, das pessoas que eu não gosto, também das que eu gosto, da minha casa, dos meus seriados preferidos, do meu celular, de tudo. Absolutamente tudo.

Coloquei algumas coisas essenciais dentro de uma mala não muito grande e vim para uma cidade onde nunca estive, “morar” com uma amiga com quem não convivia havia 3 anos, dividir apartamento com 2 caras que nunca antes vi na vida. Acabo de chegar em casa depois de passar o dia inteiro andando meio que sem rumo.

Mas em pouquíssimo tempo, uma cidade de arranha-céus te ensina uma coisa imprescindível: de vez em quando, pare tudo o que estiver fazendo e simplesmente olhe para cima. Na biblioteca, por exemplo, vi o teto mais bonito do que de qualquer igreja. Ao ar livre vi pássaros alheios a toda a confusão urbana e, sobre os altíssimos prédios empresariais nos quais milhões de pessoas trabalham para destruir e construir coisas, vi arte. São telhados trabalhadíssimos, com formas e cores, que como desculpa por invadir o céu azul compensam a intromissão oferecendo esculturas.

Janelas em arcos, caixas d’água antigas, letreiros luminosos, sinalizações. Uma realidade à parte, ignorada, mas tão real quanto o que estamos acostumados a ver. As coisas ficam mais bonitas e parecem até fazer mais sentido quando mudamos um pouco só nosso ponto de vista, quando fugimos de um olhar viciado. Você percebe que por mais caótico que a vida pareça, tudo tem seu objetivo, todos têm seu lugar.

NYC 051

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Rede de Amigos

July 1, 2008 · Leave a Comment

Essa história de trabalhar na internet, me divertir na internet ou então escolher pela internet o que vou fazer na minha vida real tem proporções inimagináveis. Eu, por exemplo, acabei fazendo novos amigos. Só um detalhe: nunca os vi.

É isso mesmo, nunca os vi, não sei onde trabalham, que idades têm, o que gostam de comer, quais suas vozes, com quem namoram ou são casados, se são loiros ou morenos, enfim, não sei nada! Mas são amigos. Não do tipo para quem eu contaria segredos ou pediria roupas emprestadas; aliás isso seria um modelo um pouco antigo de amizade, quase ultrapassado e démodé. Imagine que antes, por exemplo, símbolo de confiança era emprestar um CD e ter a certeza que ele voltaria com todos os “dentinhos” inteiros e com o encarte sem amassar. Hoje, CD… CD? Ã?

Amigos são aquelas pessoas com quem temos afinidades, ou seja, reconhecemos gostos em comum, interesses similares, para quem pedimos sugestões etc. Não sei se é impressão minha, mas depois que a gente passa da adolescência e termina faculdade, parece que fica mais difícil ver os amigos com freqüência. Então, na tentativa de manter contato, você os adiciona no Messenger e tudo quanto é rede social pra ficar conversando e acompanhando fotos de tempos em tempos e fingir que está super por dentro da vida alheia. Dá uma certa sensação de conforto acompanhar uma vida retratada e descrita, supre uma necessidade involuntária de contato, por menor que seja.

Daí que, bom, analisando dessa forma, a diferença entre meus amigos mais antigos e os que faço hoje em dia é a praticidade: pulando a etapa de conhecer ao vivo, todo o contato que se tem é lucro.

Outra diferença é que a evolução natural desse tipo de amizade é o contato pessoal, combinado via internet, claro. Assim surgiu o famoso #nob, com pessoas que sabem tanto sobre tudo que acontece na internet que, pra sair da mesmice, experimentam o peculiar hábito de beber e jogar conversa fora. Olha só que louco, não? E daí rola aquela coisa toda de abraçar, falar de futebol, tirar foto, falar sobre Lost e… publicar na internet.

É por isso que eu acho uma visão muito ultrapassada a de pessoas que imaginam geeks e nerds (vamos supor que exista alguma diferença) como pessoas sem amigos, que ficam horas em casa conversando nas salas de bate-papo por completa falta de amigos reais. Afinal de contas, que amigo pode ser mais real do que os amigos virtuais, não é mesmo? Daí você lê blogs, ouve os podcasts, acompanha as mudanças de humor pelo twitter e por aí vai. :)

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