No dia 10 de novembro deste ano, o famoso “dia do apagão”, fiquei incomunicável. (não se preocupe, não vou ficar aqui descrevendo como foi essa minha emocionante experiência, vou só fazer um breve resumo, ok?) Breve resumo: acabou a luz, com ela o telefone sem fio ficou sem função e sabe-se lá porque, o sinal do meu celular também se apagou. Pessoas na rua gritaram.
É óbvio que nessa onda de desespero hollywoodiano condensada no famoso 2012, pensei com toda a classe que tenho: “F*deu, o mundo vai acabar antes. Tipo… agora!”. E aí, como não tinha absolutamente mais nada pra fazer, me pus a pensar nesse momento “de despedida”.
. Pensamento 1: “Puts, eu vou mesmo morrer sozinha? Que triste e sem graça.” – Essa história de olhar pro teto e pensar no mundo acabando me deu uma coisinha nostálgica. Queria dar um abraço na minha mãe antes de sentir o teto caindo, um último momento de “é nóis, mano!” pra que anos à frente nossos fósseis fossem estudados pelos ETs como um bicho só com duas cabeças. Mas em seguida, tendo o fato como inevitável, pensei que pelo menos meus últimos dias tinham sido bons, felizes, gostosos e bem aproveitados.
. Pensamento 2: “Perdi, preibói! Devia ter gastado todas as minhas economias numa puuuuta viagem. Ou em sapatos.” – Autoexplicativo.
. Pensamento 3: “Cadê o Bruce Willis, carai?!” – Desde que eu assisti Armagedon, e ele colocou explosivos no meteoro gigante, fiquei ainda mais convencida de que ele é o cara! Ele é duro de matar, ele ajudou a NASA, ele salvou o mundo. Bateu uma certeza de que tudo poderia acontecer, ele iria dar um jeito. Mas não rolou…
. Pensamento 4: “Vai doer?” – O mundo ia acabar. Isso eu entendi, beleza. Mas eu especificamente, iria morrer como? Despencaria prédio abaixo, teria um ataque de susto e pararia de respirar, seria lançada pelos ares quando o centro da terra explodisse, tropeçaria na tentativa de fugir e bateria a cabeça na quina da escada? Não sei. Mas queria que fosse uma coisa meio “1, 2, 3 e já!”
. Pensamento 5: “Deixa de ser trouxa. Faltou luz em Higienópolis, oras. Grandes merdas!” – Eu não tinha noção nenhuma da proporção da coisa toda. Saí na janela, e vi espíritos pessoas andando com velas em seus apartamentos.
Antes do pensamento 6, eu dormi. E pelo que pude ver, o mundo ainda não acabou. Mas essas histórias todas de pais que matam os filhos, que esquecem os filhos no carro, iceberg derretendo, trânsito recorde em São Paulo e gente que faz bronzeamento artificial só podem ser um sinal. O mundo tá ficando louco aos pouquinhos, preparando o bote. A qualquer momento o planeta vai sumir e, pasmem, o Silvio Santos também. Cuidado!


