Geralmente, detesto classificar comportamentos entre “coisas de homem” e “coisas de mulher” por achar extremamente superficial a idéia de que o gênero de alguém seja mais forte que personalidade e educação. Até porque, as pessoas se dividem em muitos outros grupos, como, por exemplo: corinthianos, morenos, heterossexuais, publicitários etc.
Mas nesta semana percebi algo que, a meu ver, é exclusivo das mulheres. Não sei exatamente em que momento essa constatação me veio à cabeça, mas foi num dia em que eu estava com vários jobs simultâneos, aparentemente com a mesma urgência de serem concluídos, com o mesmo prazo para serem entregues e ainda assim me perguntei: “Puts, não liguei pra empregada! Quanto será que tá o dólar hoje?”
Então, traindo meu habitual modo de pensar, cheguei a essa conclusão. Acredito que somente quem nasce com um par de seios é capaz de fazer um número absurdo de ações ao mesmo tempo, por uma questão cultural, não biológica. Explico: enquanto a obrigação social do homem moderno se resuma, basicamente, a colocar comida em casa e entender um pouco sobre computadores (ou videogames, ou jogos para computadores), a mulher acumula mais funções.
Mulher precisa estar linda, para ela mesma, para ele ou eles, e principalmente para as outras que vão olhar e reparar em todos os detalhes dos pés à cabeça. Precisa também estar sempre depilada para poder usar todas as roupas do armário, já que aquela calça que uma mesma peça pode hoje estar linda e amanhã estar “investível”. Precisa trabalhar e muitas vezes, dependendo da função, ainda precisa provar que pode ser tão competente quanto qualquer homem (mesmo com o sutiã apertando ou a cólica batendo). Precisa se lembrar de ligar para a empregada, para a manicure, para o namorado ou marido, para a mãe e para a amiga, tudo por obrigação, mesmo que às vezes não queira ligar pra ninguém. Precisa ler notícias e ver telejornais pra poder conversar com conhecimento de causa sobre a crise econômica, a gripe suína e as febres da moda. Precisa ser uma dama em público e uma vadia entre 4 paredes. Precisa muitas vezes parecer equilibrada e se mostrar bem-humorada mesmo que o mundo esteja desabando abaixo de seus pés confinados em sapatos lindos e desconfortáveis. Viver constantemente no modo #tudojuntodeumavezagora.
Vale uma ressalva. Acho que tanto para homens quanto para mulheres, a grande cobrança vem deles mesmos. Mas ainda assim, feminismos à parte, a mulher é mais cobrada. Nós merecíamos ter 8 braços pra poder dar conta de tudo.

