“love you”, só isso.
Esse é o interruptor do quarto da minha amiga, o qual invadi, no apartamento em que ela mora com mais duas pessoas. A declaração já tinha me chamado atenção antes, mas hoje perguntei:
- quando você se mudou, já estava escrito?
- já.
- você achou fofo?
- achei.
- também.
É uma declaração de amor, explícita e sucinta, em apenas duas palavras que não deixam dúvida quanto à mensagem. Mas a minha cabeça fez varias suposições enquanto eu escovava os dentes.
A letra / caligrafia não dá nenhuma dica se a mensagem foi escrita por um homem ou uma mulher. Teoricamente, isso já me permitiria traçar todo um perfil imaginário sobre a pessoa, mas depois lembrei que, mesmo que ficasse claro quem escreveu, não daria para concluir se teria sido pra um homem ou pra uma mulher. Isso sem contar a possibilidade de ter sido de uma mãe ou de um pai pra um filho, ou uma mensagem de apoio entre irmãos, ou ainda de terem escrito na hora de deixar o apartamento, justamente com a intenção de ativar o cérebro do próximo morador do quarto.
O interruptor me trouxe uma idéia (óbvia) de ligar e desligar. O que daria um sentido meio triste à tal história, ao pensar que no dia da mudança, ao apagar a luz, o amor também se apagou. Ou então, partindo da idéia de o quarto ter sido de um casal, talvez a mudança de cada um tenha acontecido em tempos diferentes: a pessoa que escreveu deixou de amar e foi embora, a segunda, triste, resolveu se desligar de vez daquela mensagem e partir para um lugar com novos interruptores.
O momento em que eu via a mensagem também traz um certo significado à declaração. Ela só foi lida, pelo menos por mim, na hora em que eu estava deixando o quarto, ou na hora de dormir, ao desligar a luz. Ou seja, o “love you” passava a ser uma mensagem de despedida, dando um certo conforto final.
Seja como for, gosto de ver o recado. Gosto de pensar no quão gratuito foi pra quem escreveu, e no quão importante foi pra quem leu.
